Agora surge a tal ficha limpa, com os tribunais responsáveis pelo julgamento dos envolvidos em ações que os tornem inelegíveis. Mas o judiciários tem vários pesos e várias medidas, e as instâncias, quanto mais superiores forem, ou quanto mais se aproximarem de Brasília, mas se distancia da verdade, porque vêem menos, interpretam menos, sabem menos ou não sabem de nada, e terminam por absolver quem foi pego com a galinha na mão na saída do galinheiro. Só não se sabe porque os processos não se encerram na esfera estadual, e os envolvidos não são mandados para os lugares destinados aos sonegadores, trambiqueiros, ladrões, estelionatários e tantos outros malfeitores, que criaram a cultura da impunidade e estão acima da lei.
A pena maior é que existe uma legião de seguidores, ou comparsas, que ainda elegem esses bandidos e os tornam imunes, compartilhando com suas pretensões de não serem julgados pela justiça comum (se é que existe justiça comum!), porque adquirem foro privilegiado depois de eleitos e empossados pela mesma justiça que deveria privá-los do direito de concorrer.
Realmente a justiça é cega, mas quando quer, quando lhe é conveniente, quando o direito violado por um, ferindo milhões, parece apenas uma brincadeira, porque as vítimas da irresponsabilidade no exercício do mandato não podem agir contra os seus algozes, uma vez que o corporativismo político virou pano de fundo e estratégia de vereadores, deputados e senadores para se manterem nos cargos quando são flagrados com a boca na botija.
Há uma eleição de aproximando e centenas de processo que solicitam impugnações de candidaturas em tramitação. Mas não aguardemos por um desfecho que aguarde ao povo e cumpra a lei, porque os mesmo homens e as mesmas mulheres que propõem e aprovam as leis, são os responsáveis pela descumprimento de seus ditames. Porque esse país de impunidade só tem cadeias (lotadas) para pobres, pretos, putas e tantos outros que ousem errar se estiverem inseridos na família dos "pês ", enquanto isso, a caravana passa e os cães ladram, e algumas centenas de patriotas continuarão a bradar pelas ruas as estrofes do Vandré, na famosa "Prá não dizer que não falei das flores"