A princípio o senador fez uma longa explanação acerca dos benefício que e emancipação trará para a região em questão, esclarecendo os motivos que o levaram a tomar a iniciativa, e ao mesmo tempo, afirmando que o processo não trará prejuízos para o Pará, que já foi responsável pelo sustento de toda a região, formado por um povo trabalhador e que luta incessantemente pela defesa de seu território.
Ouvi atentamente o depoimento do ilustre senador mas não deixei de refletir sobre a grave situação que nos ronda, imaginando um futuro drástico para o lugar que já foi palco de lutas sangrentas em defesa da autonomia de seu patrimônio,relembrando os os detalhes presentes na luta de aldeões contra os poderosos portugueses que aqui se instalaram e tentaram manter a hegemonia lusitana, impedidos pela força cabocla dos nativos que partiram à luta para combater os desmandos praticados contra a população humilde, que se armou para defender os seus interesses na Cabanagem, único movimento nativista em que os revoltosos chegaram ao poder.
Ocorrido no período Regencial o movimento mobilizou mestiços e índios do Grão-Pará na luta contra a total miséria que os impedia de viver, porque não tinham trabalho e condições adequadas de sobrevivência. Eles eram os cabanos, vindos de casebres erguidos nas margens dos rios, abandonados pelo governo central e revoltados com a situação vexatória e a indicação de um presidente da província que desagradava a todos e, ao mesmo tempo, buscando a conquista da independência do Grão-Pará.
Os cabanos queriam melhores condições de vida, os fazendeiros e comerciantes que lideraram a revolta, pretendiam obter maior participação nas decisões administrativas e políticas da província.
Os cabanos ocuparam a cidade de Belém em 1835 e nomearam o fazendeiro Félix Malcher para a presidência da província, sucedido pelo lavrador Francisco Pedro Vinagre e Eduardo Angelim, incentivados pelas idéias do Cônego Batista Campos.
Os cabanos queriam melhores condições de vida, os fazendeiros e comerciantes que lideraram a revolta, pretendiam obter maior participação nas decisões administrativas e políticas da província.
Os cabanos ocuparam a cidade de Belém em 1835 e nomearam o fazendeiro Félix Malcher para a presidência da província, sucedido pelo lavrador Francisco Pedro Vinagre e Eduardo Angelim, incentivados pelas idéias do Cônego Batista Campos.
Imaginei a situação daqueles bravos lutadores e encontrei nas palavras do senador uma rèsquia de dor que é motivo da preocupação da muitos, que sabem que emancipar o Tapajós e, ao mesmo tempo, o estado de Carajás, significaria a construção de um futuro de caos para o estado "mãe", que manteria para si a área de maior densidade demográfica e de maior concentração de problemas em todas as áreas, porque perderíamos as nossas riquezas minerais concentradas no sudeste e oeste do estado, herdando apenas um território de solos cansados para a agricultura e poucos investimentos na área industrial e de extrativismo realmente produtivo, ao mesmo tempo em que permitiria a eleição de muitos interessados para os cargos de governadores, deputados e senadores nos estados emancipados, que nasceriam ricos e condenariam à míngua o que sobrasse do Pará.
De imediato manifestei a minha posição ao senador Mozarildo, esclarecendo que é chegada a hora de revitalizarmos a Cabanagem, dizendo NÃO a essa estratégia maléfica aos nossos interesses, porque tem objetivos nada promissores aos interesses do Pará, lugar que tanto amamos pela história e grandiosidade.
Chega a hora de mais uma vez nos unirmos, convidando para o debate as partes interessadas, buscando impedir a condenação à qual seremos submetidos com o esfacelamento de nossas riquezas e a intromissão de "estrangeiros" na destruição de nosso patrimônio.
Não devemos cruzar os braços e apenas olhar para o triste quadro que se aproxima, porque se assim o fizermos, permitiremos que a nossa tradição lutadora seja derrotada por interesses particulares. O Pará do Círio de Nazaré, do carimbó, do siriá e do tacacá é a nossa terra, o nosso lugar, o nosso chão. Devemos cobrar respeito e não divisão, do contrário apagaremos a glória de tantos paraenses que orgulhosamente honram sua bandeira e entoam felizes "Quanto orgulha ser filho, de um colosso tão belo e tão forte, juncaremos de flores seu trilho, do Brasil sentinela do norte, e ao deixar de manter esse brilho, preferimos mil vezes a morte".
A disião será mesmo o esfacelamento do nosso povo, mas não esqueçamos que o plebiscit é o que trará a vontade do povo em dividir ou não o estado.
ResponderExcluirE essa vontade popular não pode ser cerceada.