.jpg)
A multiplicação das siglas partidárias, aumentadas exponencialmente em relação aos dois minguados partidos existentes no período da ditadura militar, responsável pelo cerceamento da liberdade de expressão e de quaisquer atos contrários às determinações do "regime", acostumou muitos brasileiros a se acomodarem, assintindo calados e inoperantes a todas as atrocidades cometidas em nome da "democracia e da segurança nacional. A mesma segurança que foi responsável pelos atos ilícitos ocorridos nos porões de instituições que deveriam zelar pela integridade do cidadão e defender seus direitos, mas, ao contrário de suas reais e verdadeiras atribuições, ceifou milhares de vida, sob determinação de governantes e seus comandados, que calavam pelas armas e não permitiam a proliferação daquilo que não lhes agradasse.
Foi o mais triste momento da história nacional, vivido sob o domínio do terror e marcado por ações excusas de muitos fardados, que sob a alegação de defenderem a Pátria, fiscalizavam a inteligência e a vida de cidadãos e instituições que acreditaram que era possível vencer a ditadura e a intromissão de estrangeiros na manutenção de um regime cruel e sanguinário.
Assim o Brasil caminhou por muitos anos, acorrentado e incapaz de falar, amordaçado, trancado, impedido de externar suas opiniões, infeliz sob todos os pontos de vista. Justamente o país que lutara ferrenhamente contra a escravidão negra até conquistar a abolição, que anteriormente se uniu aos portugueses para se livrar das rédeas que o mantinha preso a eles, que acompanhou a inquietação gerada naqueles que clamaram pela anistia de exilados, assistindo à volta triunfal daqueles que conseguiram escapar da morte e pisaram novamente nos mesmo solo verde e amarelos de onde foram expulsos, motivados para a reconstrução de sua história pessoal e a de seu país, fundamentais na luta pelas "DIRETAS JÁ", ocorrida com a participação de toda a população, embora manchada pelo triste episódio que culminou com a morte de Tancredo Neves, que chocou os brasileiros e que ocorreu em circunstâncias que dificilmente serão esclarecidas.
O dia vinte de abril deste ano é uma data histórica para Ourém, porque se insere dentre aquelas em que, um simples acontecimento pode mudar o caminhar para o futuro do município, justamente porque foi utilizado para a instalação da comissão provisória do Partido Verde, formada por pessoas sem participação direta nas decisões políticas do município, interessadas na condução de uma nova proposta para a juventude e para toda a população, que assiste calada à extração do seixo e a fabricação de tijolos, retirando do solo o material que promove o lucro de mineradoras e olarias, retirando a cobertura vegetal, inviabilizando a agricultura de subsistência e promovendo a miséria nas famílias de colonos, que deixam suas pequenas propriedades na zona rural, depois de vendê-las aos empresários, e se instalam na periferia da cidade, aumentando as estatísticas que relatam a falta de saúde e educação, violência, inexistência da saneamento básico e miséria, tudo misturado e responsável pelo comprometimento do IDH do município, se for realmente levantada a situação em que vivem centenas de famílias que hoje habitam as humildes moradias levantadas nos novos bairros da sede do município, sem infra-estrutura e oportunidades para o trabalho e geração de renda.
O Partido Verde tem uma tradição de luta na defesa da manutenção dos recursos naturais e na sustentabilidade, e por essa razão, merece atenção o fato de ter chegado ao lugar banhada pelos sofridos rios Guamá e Caeté e tantos outros igarapés que antes eram cartões-postais, e atualmente assombram com a diminuição do volume d'água e o desaparecimento de espécies que antes alimentavam aos moradores ribeirinhos, mas sumiram das mesas em virtude de todas as agressões à rede hidrográfica que orgulhava o lugar e incentivava o seu potencial turístico.
Participei como convidado deste grande momento, que contou a com a presença do presidente estadual do partido - o ex-deputado estadual Zé Carlos do PV, e do cantor Diogo, conhecido pelos sucessos que acompanharam muitas baladas na região, e por ter gravado a música "beijo quente", vencedora do II Festival da Canção Ouremense.
Todos se manifestaram mostrando a necessidade de discutir a situação em que se encontra o município, caminhando para uma nova política de desenvolvimento: menos agressiva e de maior valorização do homem e seu trabalho, privilegiando a vida e proporcionando o bem-estar das comunidades.
É uma proposta que esbarra em muitos interesses financeiros, mas pode celebrar a intromissão de um novo critério para a ação dos políticos ouremenses: a preocupação com o meio-ambiente e a garantia da preservação do que nos é oferecido pela natureza, cada vez mais agredida e sem condições de reagir contra a falta de escrúpulos daqueles que constroem o desenvolvimento de uns com a fabricação do sofrimento em outros.
Aconselho aos novos integrante do PV em Ourém, a se aliarem às instituições, ouvindo opiniões que contribuam para o diálogo aberto acerca da triste realidade que abala o povo de um dos lugares mais belos do Pará, cada vez mais subtraído em suas riquezas e impedido de sorrir, porque as feridas provocadas no chão que sustenta seu povo podem ser irreversíveis, destruindo a camada produtiva, comprometendo a qualidade da água dos rios e mananciais, matando a mata nativa e o orgulho de um povo trabalhador e honesto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário